Ibovespa chegou a cair 16,88% durante a manhã desta segunda-feira (26); negociações foram suspensas temporariamente após queda de 10%.
A Bolsa de Valores brasileira abriu a semana sob forte pressão nesta segunda-feira (26), após o segundo turno das eleições presidenciais realizado no domingo (25). A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que superou o senador Flávio Bolsonaro (PL), provocou uma reação negativa no mercado financeiro, contrariando as expectativas de parte dos investidores.
Às 10h46, pelo horário de Brasília, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrava queda de 16,88%, aos 170.431 pontos, segundo dados divulgados pelo InfoMoney. O índice chegou a perder mais de 34 mil pontos em relação ao fechamento anterior, evidenciando a intensidade do movimento de venda.
B3 interrompe negociações após queda acentuada
Diante da forte desvalorização, a B3 acionou o mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos desordenados em momentos de grande instabilidade.
A suspensão foi determinada após o Ibovespa atingir uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior. A interrupção inicial prevista pelas regras é de 30 minutos, permitindo que o mercado tenha um intervalo antes da retomada das operações.
Pelas regras da Bolsa, caso o índice volte a cair e alcance 15% de desvalorização em relação ao fechamento anterior, uma nova suspensão pode ocorrer, dessa vez por uma hora. Se a queda chegar a 20%, a B3 poderá determinar a interrupção das negociações por um período definido pela própria instituição.
Resultado eleitoral surpreendeu parte do mercado
A reação negativa está relacionada à vitória de Lula, que contrariou as expectativas de parte dos agentes financeiros. Antes do segundo turno, setores do mercado demonstravam preferência por um cenário de mudança no comando do governo federal, associado por investidores à possibilidade de alterações na condução da política econômica e fiscal.
Com o resultado eleitoral, investidores passaram a reavaliar suas posições diante das incertezas sobre os próximos passos da política econômica, especialmente em relação às contas públicas, aos gastos do governo e à trajetória da dívida.
O movimento também foi acompanhado de forte volatilidade no mercado cambial, com valorização do dólar frente ao real durante a manhã.
A intensidade da queda reforça a cautela dos investidores diante do cenário político e econômico. Os próximos movimentos da Bolsa dependerão, entre outros fatores, das expectativas para a política fiscal e das sinalizações que forem apresentadas pelo governo eleito.
Os números apresentados correspondem às cotações registradas durante a manhã desta segunda-feira (26) e podem mudar ao longo do pregão.
