Reforma Tributária: cobrança do novo modelo de impostos sobre o consumo começa em 2027; entenda o que muda

Araripina Blog Brasil Cidadania Economia

Mudança será gradual e começa a ganhar força a partir de 2027, com a entrada efetiva da CBS e do Imposto Seletivo; substituição completa dos atuais tributos sobre o consumo só termina em 2033.

A Reforma Tributária sobre o consumo entra em uma nova etapa a partir de 2027. O novo sistema foi criado para substituir gradualmente tributos que existem atualmente, como PIS, Cofins, ICMS e ISS, por uma estrutura baseada principalmente na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Apesar de muitas vezes ser apresentada como a criação de “novos impostos”, a reforma tem como principal objetivo substituir os tributos atuais por um novo modelo de cobrança sobre o consumo. A mudança, porém, não acontecerá de uma só vez.

O que muda em 2027?

A partir de 1º de janeiro de 2027, começa uma etapa efetiva da reforma.

A CBS, de competência federal, passa a substituir o PIS e a Cofins. Também entra em vigor o Imposto Seletivo (IS), destinado a determinados produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Já o IBS, que será administrado por estados e municípios, começa sua transição de forma mais gradual. A substituição do ICMS e do ISS ocorrerá progressivamente a partir de 2029.

E o que acontece com os impostos atuais?

A extinção dos tributos atuais será gradual.

O PIS e a Cofins deixam de existir com a entrada da CBS em 2027. Já ICMS e ISS continuam durante o período de transição e serão reduzidos progressivamente entre 2029 e 2032.

A previsão é que, em 2033, o novo sistema tributário esteja completamente implantado, com a extinção do ICMS e do ISS.

Como ficará o novo sistema?

O modelo terá três principais tributos:

CBS: imposto federal que substituirá PIS e Cofins;

IBS: tributo de estados e municípios que substituirá gradualmente ICMS e ISS;

Imposto Seletivo: aplicado a determinados produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A proposta também prevê um sistema de créditos tributários mais amplo, buscando evitar a chamada cobrança em cascata — quando um mesmo imposto acaba incidindo várias vezes ao longo da cadeia de produção e comercialização.

2026 é considerado um ano de teste

Antes da cobrança efetiva prevista para 2027, 2026 é utilizado como período de adaptação.

Empresas precisam adequar seus sistemas, documentos fiscais e processos internos para informar os novos tributos. O objetivo é permitir que o setor produtivo e o poder público testem o funcionamento do novo modelo antes da etapa seguinte da transição.

A alíquota definitiva já foi definida?

Esse é um dos pontos que ainda exigem atenção.

As alíquotas de referência do novo sistema dependem dos cálculos necessários para garantir a transição da arrecadação dos tributos atuais para o novo modelo. Portanto, não é possível afirmar hoje que haverá uma única alíquota definitiva já estabelecida para todos os casos em 2027.

Além disso, existem diferentes regimes e tratamentos previstos para determinados setores da economia.

A mudança vai aumentar ou diminuir os impostos?

A resposta não é tão simples.

A reforma foi estruturada para buscar a manutenção da arrecadação durante a transição, mas o impacto poderá ser diferente conforme o setor, o produto, o regime tributário e a cadeia de produção.

Por isso, o consumidor pode perceber efeitos diferentes dependendo do tipo de produto ou serviço adquirido.

Outro mecanismo previsto é o cashback tributário, que poderá devolver parte dos tributos para famílias que atendam aos critérios estabelecidos pela legislação.

Quando a reforma estará totalmente implantada?

O cronograma prevê uma transição longa:

2026: período de testes e adaptação;

2027: entrada efetiva da CBS e do Imposto Seletivo;

2028: continuidade da transição;

2029 a 2032: substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS;

2033: conclusão da transição e funcionamento integral do novo modelo.

A Reforma Tributária, portanto, não representa uma mudança que ocorrerá de um dia para o outro. Empresas, governos e consumidores passarão por vários anos de adaptação até que o novo sistema esteja completamente em funcionamento.